
Vivenciar Rosh Hashaná como um portal em que se abre o Livro da Vida é perceber que este livro não é escrito nas Alturas; ele nos é confiado para que, a partir de nossas próprias alturas, de nossos pensamentos conscientes e integradores, possamos traçar novos capítulos. É como se, neste tempo, o alfabeto da criação se revelasse letra por letra, oferecendo-nos os códigos para escrever o próximo ciclo da existência.
O passado não se apaga; ele se revela. Quando o reconhecemos com clareza, percebemos que somos os autores da realidade que vivemos. O que passou pode se transformar em sabedoria viva, tornando-se nosso fundamento. E isso depende de uma decisão individual.
Ser inscrito no Livro da Vida é compreender que não somos leitores de um destino já traçado, mas escribas da própria realidade. Cada pensamento, intenção e gesto que lançamos a cada dia germinam em nossa vida e também no campo coletivo da humanidade. Somos, de fato, um com o ?outro?.
Tudo o que é inscrito em nós repercute nos outros. Nossas escolhas moldam não apenas nosso ano, mas o mundo que compartilhamos. Se falamos de vida, é porque há vida ao nosso redor ? e há uma beleza incrível em contemplar isso de frente. Cada letra, cada linha, cada palavra gravada neste ?Livro? reverbera além de nós, tecendo o tecido invisível ? ou visível, para alguns ? da criação.
Que possamos escrever com consciência. Não se trata de registrar desejos passageiros, mas de inscrever uma vida que floresça em clareza e maturidade, em um crescimento contínuo. Que possamos criar uma página, um novo capítulo, um novo livro para nós mesmos; e que ofereçamos ao mundo, por meio de nossas ações, um caminho renovado de retorno à essência.
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Anne C. Zucolotto © 2025