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O Verdadeiro Sentido de Amar ao Próximo

(e a chave sutil de ?como a ti mesmo?)



O equívoco comum


Muitas vezes, pensamos que amar ao próximo é dar alguma coisa: comida, roupas, atenção, carinho. Embora tudo isso seja valioso, ainda é a casca externa do conceito. Nesse nível, o ego pode seguir atuando: ?eu dou, logo sou bom?, ?eu ajudo, logo ganho reconhecimento?. Não é aí que está o coração do ensinamento.

O sentido Kabbalístico


Na Kabbalah, amar ao próximo é sentir a felicidade do outro como se fosse a nossa própria. Não se trata apenas de ?ajudar? ou ?dar?, mas de experimentar, por dentro, que a alegria do outro nos alimenta.


?Amar ao próximo é que ele se alimente e nós fiquemos satisfeitos.?


Ou seja: o amor não é primordialmente uma ação externa; é um estado de consciência que dissolve a separação entre ?eu? e ?outro?.


Quando realmente sentimos a felicidade do outro como nossa, três movimentos acontecem:



Os kabbalistas explicam que toda a humanidade participa de uma única alma (Adam HaRishon). O que percebemos como indivíduos separados são centelhas desse todo. Por isso, amar ao próximo não é mero dever moral; é uma lei espiritual de reconexão: quanto mais reconhecemos o outro como parte de nós, mais nos religamos à alma coletiva. O Baal Shem Tov resume: amar o próximo é amar a Divindade que nele habita.


Na vida prática, isso significa



Esse estado dissolve a inveja, esvazia a competição e abre espaço para a abundância fluir sem barreiras: já não há ?meu? e ?teu?, mas um campo comum de plenitude.


Um fio sutil que conecta o todo


Esse entendimento, porém, não se esgota aqui. O versículo bíblico acrescenta uma chave ainda mais fina: ?como a ti mesmo?. É essa expansão que revela a condição profunda do amor verdadeiro e explica como sustentar, na prática, aquilo que descrevemos acima.


A dobra ?como a ti mesmo?


No hebraico: ????? ???? ???? (Ve?ahavta le-re?acha kamocha). A expressão kamocha (?como a ti mesmo?) não é apenas uma comparação; pode ser lida também como condição:


?Na medida em que te amas, amarás ao próximo.?

(Ou, invertendo a ordem para evidenciar a lógica: ?Como a ti mesmo, amarás ao próximo?.)


Isso muda tudo. O texto deixa de soar como exigência impossível e se revela como método pedagógico: primeiro aprende-se a amar-se de forma verdadeira (reconhecendo a centelha divina em si); então, esse amor transborda naturalmente para o próximo.


A lógica espiritual do transbordamento


O amor é energia de plenitude. Só se compartilha de modo estável o que já nos preenche.



Conclusão integradora


?Amar ao próximo? e ?amar ao próximo como a ti mesmo? não são mandamentos separados. São duas faces da mesma lei espiritual:


  1. Unidade (sentir a alegria do outro como nossa).
  2. Condição (cultivar um amor próprio verdadeiro, para que haja o que transbordar)


Quando essas duas faces se encontram, o amor se torna estado de consciência unificada. A Luz passa por nós sem barreiras e então, sim, ?ele se alimenta e nós ficamos satisfeitos?.


Prática de 1 minuto para o leitor

Hoje, escolha uma pessoa e celebre de coração uma pequena vitória dela. Observe, em silêncio, se a sua satisfação aumenta ao perceber que a alegria do outro é também sua. Esse é o músculo espiritual do amor verdadeiro em exercício.



Horacio Zabala © 2025

Diretor Escola G.E.R.A.